Silvia Bassi
Publicada em 19 de março de 2012 às 16h46
Um em cada quatro americanos lê notícias
diariamente usando dispositivos móveis. E tem mais interesse por
notícias produzidas por empresas jornalísticas.
Segundo o estudo
"2012 State of the News Media",
realizado pelo Pew Research Center para o Project for Excellence in
Journalism (PEJ), a adoção crescente da tecnologia móvel está aumentando
o consumo de notícias e o interesse pelo jornalismo analítico e
opinativo. A "má notícia" para as empresas de mídia é que, embora
estejam ganhando os olhos dos leitores, quem está levando a maior parte
da receita online são as empresas de internet, como Google e Facebook.
A pesquisa, em sua nona edição, mapeia unicamente o mercado
norte-americano. Embora o uso de equipamentos móveis seja crescente (27%
dos leitores acessa notícias em dispositivos móveis), as plataformas
preferidas por 80% dos donos de tablets e smartphones para pesquisar
mais longamente informações e notícias continuam sendo notebooks ou
desktops. Nos equipamentos móveis, a busca dá lugar ao uso direto de um
site de notícias ou uma app de alguma empresa de mídia tradicional, daí o
estreitamento dos laços da mobilidade com o jornalismo.
“Nossa análise sugere que o jornalismo está se tornando mais
importante e mais entrelaçado na vida diária das pessoas. Mas ainda não
está claro quem vai se beneficiar economicamente desse apetite crescente
pelas notícias", diz Tom Rosenstiel, diretor do PEJ. Ele cita pesquisa
da empresa eMarketer que mostra que em 2011, cinco grande empresas de
tecnologia ficaram com 68% de toda a receita gerada pela publicidade
digital. Em 2015, um em cada cinco dólares gerados pela publicidade
online irá para o bolso do Facebook, segundo o eMarketer.
As plataformas de social media ainda influenciam pouco o consumo de
notícias, segundo o estudo do PEJ. Apenas 9% dos adultos entrevistados
nos EUA disseram seguir "frequentemente" links de notícias do Facebook
ou Twitter, enquanto que 36% preferem usar diretamente o site ou a app
da empresa de mídia, 32% chegam até as notícias via busca e 29% já
preferem organizar suas informações em sites como Topix ou Flipboard.
Mesmo assim, a social media não deve ser subestimada: segundo a
análise do PEJ baseada em dados da Hitwise, 9% do tráfego para sites de
notícias vem do Facebook, Twitter e outros sites menores de mídia
social. Isso representa um crescimento de mais de 50% sobre 2009.
Enquanto isso, o tráfego gerado por mecanismos de busca para sites de
notícias caiu de 23% para 21% no mesmo período.
O resgate das notícias está acelerando a adoção entre os jornais e
revistas pela cobrança para acesso ao conteúdo online. Segundo o estudo,
pelo menos uma centena de jornais deverá adotar o modelo da chamada
"paywall" nos próximos meses, engrossando a lista de 150 diários que já
têm algum modelo de assinatura online. O movimento em parte vem de
observar o sucesso do The New York Times, atualmente com 390 mil
assinantes online e em parte numa tentativa de substituir a queda da
receita dos meios convencionais: a indústria americana de jornais viu a
receita de circulação e assinaturas do meio impresso encolher 43% desde
2000. Em 2011, a média dos jornais perdeu 10 dólares em receita impressa
para cada dólar gerado pela publicidade online.
A privacidade está se tornando um elemento importante para o leitor,
que começa a ficar irritado com os anúncios que rastreiam seu
comportamento, o que cria um conflito e uma oportunidade para as
empresas de mídia. O estudo do PEJ mostra que 2/3 dos usuários de
internet se ressente dessa prática mas, ao mesmo tempo, quer cada vez
mais o serviços de personalização de conteúdo oferecidos por essas
empresas. Para sobreviver, a saída da mídia é achar o meio de fazer sua
publicidade digital ser mais eficiente e mais lucrativa e tirar proveito
da tecnologia para preservar a privacidade dos seus leitores e oferecer
uma experiência cada vez melhor com as informações valiosas que provê.